Queremos mais “Malucos Beleza” como ele

O cenário é uma rua movimentada no Rio de Janeiro. Um rapaz de 27 anos está na calçada esperando o sinal fechar para atravessar quando é surpreendido por uma senhora, que o segura pelo braço. Ela olha fundo nos seus olhos e diz: “Obrigada por fazer o que você faz. Não pare.”

É assim que Flavio Duncan começa a explicar a paixão que o move todos os dias para continuar fazendo o que faz. Jornalista formado e terminando um curso de Analista de Marketing, o carioca criou, no início de 2010, um dos maiores sites de responsabilidade social do Brasil, o Pescador de Ideias (www.pescadordeideias.com.br). Nesse espaço, as pessoas podem ter acesso a diferentes projetos idealizados por Flavio e também serve como um canal de discussão de ideias. É uma super corrente de pessoas comprometidas com o bem! Em um mês e meio, foram 22 mil pessoas cadastradas. Atualmente, a marca passa dos 45 mil. A verdade é que a grande maioria das pessoas tem vontade de ajudar. Isso imprime na gente uma vertente otimista diante dos problemas”, reflete o criador do site.

Atuante no terceiro setor desde os 18 anos, Flavio hoje não se vê fazendo outra coisa. Ideólogo e otimista até o último fio de cabelo, ele costuma dizer que é preciso tomar cuidado para não confudir essas duas coisas com ilusão. O jovem conhece a realidade de perto e sabe que é preciso muito mais capacitação, oportunidades e orçamento para mudar o cenário no Rio. “A prefeitura precisa de uma política mais objetiva e menos sensacionalista no atendimento das pessoas em situação de vulnerabilidade social. Acho complicado ver um secretário de Assistência Social ir para as ruas, depois da grande repercussão do meu trabalho na mídia, e aparecer levando as pessoas para abrigos como um ‘bom garoto’ que faz o dever de casa”, analisa Flavio. Segundo ele, não existe estrutura de atendimento nos abrigos, pois lá não há técnicos suficientes e eles não oferecem programas de reinserção social e desintoxicação alcoólica e narcótica. “Não há nem um programa de identificação e controle dessas pessoas. O governo investe em estruturação turística e esquece do básico. Onde vão colocar essas pessoas? Em uma caixinha?”, diz ele, referindo-se as ações que serão tomadas pelo governo para maquiar a cidade durante a Copa de 2014.

Flavio conversando com um morador de rua, no Rio

O currículo de Flavio inclui palestras em comunidades e projetos com adolescentes grávidas, uso de drogas, exploração sexual de menores e erradicação do trabalho infantil. Recentemente, concluiu uma pesquisa gigantesca, em que entrevistou cerca de 500 moradores de rua do Rio. Com o objetivo de elaborar perfis comportamentais e entender o real motivo por trás da escolha de permanecer nas ruas, o jovem andou sozinho durante meses em mais de 11 bairros cariocas. “De uma maneira ou de outra, acho que as pessoas conseguiram me identificar como alguém que realmente quer ajudar. Acabei virando referencial para diversas áreas que visam desenvolvimento e sustentabilidade social”, explica ele, que atualmente investe na implantação de um centro de inserção social itinerante, que pretende oferecer formação profissional a pessoas fora do mercado de trabalho.

Engajado para valer e realmente dedicado, Flavio não é filiado a nenhum partido político e descarta a possibilidade de se candidatar para futuros cargos eletivos. “Já tive muitas propostas, mas acho que posso chegar aos meus objetivos sem me eleger. O mandato facilita em alguns casos, mas sou uma pessoa realizadora e não quero perder o foco das coisas”, explica o jovem, que acha graça quando as pessoas o chamam de maluco ou doido. “Meu cotidiano não tem sido fácil. Mas meu objetivo é realmente ajudar quem precisa. Me incomoda saber que tem gente vivendo em condições de vulnerabilidade social”, emenda.

Enquanto chamam Flavio de maluco, ele investe em projetos para melhorar as condições de vida de muitas pessoas. Então se isso é ser maluco, quero virar também! Para encerrar essa matéria, só com Raul Seixas e seu Maluco Beleza: “Enquanto você/Se esforça pra ser/Um sujeito normal/E fazer tudo igual…Eu do meu lado/Aprendendo a ser louco/Maluco total/Na loucura real…Controlando/A minha maluquez/Misturada/Com minha lucidez…” E assim Flavio vai tentando ajustar os ponteiros para uma realidade mais sadia.

 Caso queiram acompanhar o trabalho dele:
Facebook: Flávio Duncan e twitter: @flavioduncan

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10 respostas para Queremos mais “Malucos Beleza” como ele

  1. André Dutra disse:

    Muito bacana! Nunca ouvi falar desse tipo de trabalho aqui em Brasília! Concordo com o título e quem dera tivéssemos mais malucos belezas assim!

  2. Marcela disse:

    A matéria ficou muito legal, Paul! Queria saber mais sobre a pesquisa com moradores de rua. Sabe se no site do Flávio tem isso?

  3. Não sei ao certo, Marcel. Acho que não tem. Posso pedir pro próprio mais informações… você quer?

  4. Bruno disse:

    A pesquisa com moradores de Rua e um pouco do trabalho que ele desenvolve está no Livro “Pescador de Ideias”, que além de ensinar e motivar a escrever projetos, traz as pesquisas dele nas ruas como referenciais pro desenvolvimento do trabalho. Pesquisei na internet e vi que ele também tem um site pessoal, (além do http://www.pescadordeideias.com.br) é o http://www.flavioduncan.com.br. Lá também tem muito material sobre o trabalho dele. Espero que tenha ajudado…

  5. Ana Carvalho disse:

    Acabei de ler a matéria, fiquei maravilhada com esse rapaz! Alguém sabe o contato dele? precisamos dele aqui em Fortaleza!!!!

  6. Pingback: O pescador do bem |

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