Um sopro de renovação

O atual quadro político do Brasil não é nada convidativo. É provável que qualquer um seja chamado de maluco ou corrupto caso anuncie que deseja se candidatar para cargos eletivos. Apesar das adversidades, o jovem André Dutra preferiu dar a cara a tapa e se envolver ativamente no processo político do país. Em 2008, ele se filiou ao PDT e hoje representa uma grande esperança em termos de renovação política. Atualmente, André está em outro partido e é presidente da Juventude Socialista Brasileira no PSB-DF. Para ele, a solução que tantos clamam, está exatamente em se tornar uma peça da engrenagem e tentar com isso, mudar o rumo da administração pública.

crédito: programa câmara ligada

crédito: programa câmara ligada

Formado em relações internacionais e concluindo uma especialização em gestão pública, André nasceu e foi criado em Brasília, onde as pessoas estão acostumadas a ouvirem comentários ou serem taxadas pela má fama dos políticos. Porém, isso não foi motivo para desanimar. Ele foi à luta e se candidatou para deputado distrital nas eleições de 2010. Teve 973 votos. Hoje, já fala sobre uma possível candidatura em 2014. “Quem acha que política é um negócio nojento precisa ter plena consciência de que alguém pior que ela vai entrar, vai ocupar esse lugar e vai tomar as decisões por ela”, salienta o jovem. “As pessoas querem que alguém, um alguém sem forma, mude as coisas. Esse alguém não existe, esse alguém é a pessoa que acha que tem que mudar. As pessoas precisam se conscientizar disso”.

Uma pesquisa exclusiva, feita pela Revista Época em 2011, mostra que 56% dos jovens brasileiros não acreditam nos políticos. Porém, os dados revelam que 41% aceitariam se candidatar. Realizada em dez capitais brasileiras (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), ela ouviu 990 adolescentes entre 16 e 18 anos de escolas públicas e privadas. A pesquisa mostra que o desgosto com a política vem da falta de identificação dos jovens com os parlamentares.

André acredita que o maior motivo pelo desinteresse das pessoas, e principalmente dos jovens, é a falta de informação. Para ele, a única forma de mudar isso é através do ensino político nas escolas. André, inclusive, dá aulas voluntárias de conscientização política uma vez por semana na escola pública em que se formou na Asa Norte, em Brasília.  Os alunos aprendem sobre ética, cidadania, direitos humanos, legislativo, entre outros temas. “Não há intenção nenhuma de quem está hoje ocupando cargos dentro dos partidos ou dos parlamentares de que uma outra pessoa saiba como funcionam as coisas porque ele não quer perder esse espaço”, pontua.

Além das aulas, André também desenvolve um trabalho voluntário na organização apartidária, sem fins lucrativos e formada e gerenciada por estudantes universitários AIESEC. Lá, ele é responsável pelo desenvolvimento e treinamentos de jovens que ocupam espaços de liderança. “O menino de 15 anos que está hoje no ensino médio é a força de modificação”, acredita.

O exercício em sala de aula vai muito além do prazer de ajudar esses jovens. André acredita que o professor, bem como artistas, jornalistas, médicos, ou qualquer um com algum grau de autoridade têm uma função social essencial no processo de renovação política. “Essas pessoas têm que puxar esse barco. É pesado, tem que ter muitas pessoas puxando ao mesmo tempo, mas precisamos formar uma rede de desmistificação da política, levando pessoas novas”, defende André.

Atualmente, trabalhando como assessor parlamentar na Câmara Legislativa do DF, André está cedido sem ônus ao estado. Porém, sua trajetória profissional começou aos 18 anos, como terceirizado no Departamento de Saúde Indígena (DESAI) da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), onde o diretor à época era o atual ministro da Saúde Alexandre Padilha. Aos 20 tomou posse como funcionário público da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF). Por isso, ele conhece e se interessa bastante pelo sistema de transporte público na cidade. Se for candidato em 2014, André pretende focar seu projeto político, principalmente, em reformas no transporte público e mobilidade urbana. No entanto, sem deixar de lado melhorias na educação. O transporte publico é agregador de tudo aquilo que a política social é. Minha ideia para uma provável campanha em 2014 é: você tem o direito de ser uma pessoa mais feliz, em uma cidade que te trata melhor. O transporte público aumenta sua qualidade de vida”, argumenta.

André acredita que um bom transporte público está ligado com saúde mental – estresse, acidentes físicos, qualidade de vida; educação – respeito a pedestres e ciclistas, maior civilidade, comprometimento com a coisa pública etc; e segurança, com a redução de furtos, assaltos e sequestros relâmpagos a veículos particulares, convivência maior de camadas sociais diferentes no transporte coletivo, etc.

“Eu componho o pensamento de um partido que é de esquerda, socialista, que visa o bem social em primeiro lugar, onde você tem de volta por meio de serviços públicos de excelência, tudo aquilo que você paga. Ninguém fala que transporte público é um direito constitucional, social, que o Estado é responsável por prover isso”, defende. “Temos a capacidade técnica, capacidade financeira, mas temos também a incompetência, a inabilidade, e o desinteresse político”.

Segundo André, o Brasil não tem gestores competentes. Mas essa está longe de ser a única coisa que falta por aqui. “O Brasil carece de estadistas. O Brasil não tem pessoas que pensam no projeto político e sim em governistas, que pensam de quatro em quatro anos”, avalia ele. André ainda acha que faltam pessoas vocacionadas para os cargos da administração pública. “O perfil de concurseiros hoje é de pessoas que entram para várias carreiras, mas não têm vocação. O Estado precisa de pessoas vocacionadas para várias funções, não só politica. A pessoa quer ser concursada hoje porque terá estabilidade e aposentadoria e não porque ela acredita naquilo”, critica.

André é um respiro de tudo isso que vivemos na política. Ele, inclusive, foi personagem do Política do Bem em julho de 2011. Leia aqui.

Acompanhe o blog de André: http://www.andredutra.com/

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